Pai com bebê no colo — Foto: Freepik
Já imunizou seu bebê contra a bronquiolite? Começou
a temporada de casos do VSR
Desde fevereiro, o Sistema Único de
Saúde (SUS) passou a oferecer o imunizante para proteger os bebês,
gratuitamente. Saiba quem pode receber e a importância da vacina contra o VSR
na gestação para mudar esse cenário
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17/03/2026 18h37 Atualizado há 4
semanas
Em 2025, o vírus
sincicial respiratório (VSR) matou, pelo menos, 272 crianças menores de 2 anos
no Brasil. No mesmo período, foram 35 mil hospitalizações nessa faixa etária,
sendo que 10 mil bebês precisaram de UTI. E mais: quase um terço dos casos
graves exigiu terapia intensiva.
Os números foram
divulgados pelo pediatra infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da
Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) nesta terça (17), durante o
evento Uma nova era na saúde pediátrica, realizado pela
Sanofi.
Os dados, no
entanto, podem ser ainda maiores, já que metade das síndromes respiratórias
graves não tem diagnóstico laboratorial fechado. Para médicos e autoridades de
saúde, o país vive um momento decisivo: pela primeira vez, estratégias amplas
de prevenção podem reduzir drasticamente internações e mortes infantis.
Vale lembrar que
não existe vacina aplicada diretamente nos bebês. O que há é um anticorpo monoclonal, que oferece proteção imediata ao fornecer os
anticorpos prontos. Desde fevereiro deste ano, o SUS passou a oferecer a
Beyfortus (nirvesimabe) a bebês prematuros nascidos após agosto de 2025 (com
idade gestacional inferior a 37 semanas e com até 6 meses) - bem como crianças
até 24 meses com comorbidades.
Os especialistas,
no entanto, reforçam a importância da proteção dupla: a vacina da gestante.
Disponível no SUS, a Abrysvo, da Pfizer, deve ser aplicada idealmente a partir
da 28a semana de gestação. A vacina protege o bebê por meio da transferência de
anticorpos da mãe ainda durante a gravidez.
A seguir, confira
respostas par as principais dúvidas sobre o VSR:
O que é o VSR e por que ele preocupa os pediatras?
O vírus sincicial
respiratório é um vírus altamente contagioso e responsável por grande parte das
infecções respiratórias graves em bebês e crianças pequenas. É o principal
causador da bronquiolite —
inflamação pulmonar que atinge especialmente os menores. Tem alta taxa de
hospitalização, não possui tratamento específico e sobrecarrega o sistema de
saúde todos os anos, especialmente no outono e inverno.
Além da fase aguda,
a infecção pode deixar sequelas respiratórias prolongadas, como chiado
recorrente e maior risco de asma na infância.
Bebê doente no colo da
mãe — Foto: Freepik
Qual é o impacto real nos hospitais e
no sistema de saúde?
É uma pressão que
afeta tanto o SUS quanto a rede privada.
- Cada internação por bronquiolite custa, em média, R$ 29 mil no
Brasil
- Hospitais pediátricos ficam lotados na sazonalidade
- Cirurgias e outros atendimentos são adiados por falta de leitos
- UTIs neonatais operam no limite
Quais crianças correm mais risco?
Os prematuros são
os mais vulneráveis, pois têm pulmões e sistema imunológico ainda imaturos, o
que aumenta o risco de complicações. Apesar disso, há um dado importante: mais
de 70% dos bebês hospitalizados por complicações relacionadas ao VSR nasceram saudáveis
e a termo.
Quem pode receber o anticorpo gratuitamente pelo SUS?
Prematuros:
- Nascidos com menos de 37 semanas
- Até 6 meses de vida
- Mesmo que a mãe tenha sido vacinada
Crianças
até 2 anos com condições de risco:
- Cardiopatias congênitas graves
- Doença pulmonar da prematuridade
- Síndrome de Down
- Fibrose cística
- Doenças neuromusculares
- Imunossuprimidos
Bebê em consulta pediátrica — Foto: Freepik
E no sistema privado, como funciona o imunizante para os bebês?
O nirsevimabe está disponível nas clínicas particulares e é recomendado para
todos os bebês, nascidos a termo ou prematuros, antes ou durante a temporada do
VSR.
Quando
o vírus circula mais?
A sazonalidade
varia conforme a região. Em 2025, o pico nacional ocorreu entre abril e maio.
No Norte e Nordeste, a circulação começou mais cedo. Já o Sul manteve alta
transmissão até julho.
Por que a vacinação da gestante segue tão importante?
Porque o bebê nasce
protegido justamente no período mais vulnerável da vida. A prematuridade pode
reduzir a transferência de anticorpos — por isso o anticorpo monoclonal
complementa a estratégia nesses casos. Para bebês nascidos a termo, que não
recebem o anticorpo gratuito no SUS (disponível apenas na rede privada), a
vacinação materna é a principal forma de proteção nos primeiros meses de vida.
Fonte: https://revistacrescer.globo.com/bebes/saude/noticia/2026/03/bronquiolite-vsr-causou-272-mortes-de-criancas-em-2025.ghtml
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